Quintais agroflorestais: Uma reflexão acerca da economia rural - Pimenta Virtual

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Quintais agroflorestais: Uma reflexão acerca da economia rural

Publicada em : 31/03/15 23:18 - Atualizada em : 01/04/15 23:05

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A terra dá ao ser humano o alimento que sustenta a sua matéria e, sua beleza alimenta a alma. Assim é há milênios de anos. Com a fome batendo nas portas e sendo abrigadas pela miséria percebe-se a necessidade cada vez maior de buscar por melhores condições de permanência e trabalho na zona rural. Mediante orientações da professora Ph.D. em Ciência do Solo, Doutora em Solos e Nutrição de Plantas, pesquisadora da EMBRAPA e professora da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Marilia Locatelli, estudos sobre economia rural no município de Pimenta Bueno estão sendo realizados por nós, desde meados de 2014. O que nos leva a uma reflexão:

O fato da produção de alimentos em todo o planeta estarem cada vez mais, elitizada, é perceptível a todos, tanto quanto se sabe que a mão-de-obra humana esta sendo substituída nos últimos anos com uma velocidade assustadora. A industrialização no Brasil remonta o final do século IXX, com pico entre 1933 e 1945, crescimento este, freado na crise de 1962, retomada no Milagre Econômico e, novamente é interrompido na crise de 1980 e retornando na década de 1990. Desde então, o crescimento ano após ano tem “expulsado” o(a) trabalhador(a) rural do campo para as cidades.
Com a metamorfose ocorrida no campo e nas cidades, o espaço é transformado e se descortina numa nova paisagem urbana. As margens das cidades sofrem uma concentração acentuada de pessoas que trazem consigo a saudade do cheiro da mata, da terra e de sua própria essência. Pessoas que plantavam e colhiam para saciar a fome do corpo passam a sentir outros tipos de fome que nos abstemos de pontuar.
Os municípios, despreparados para receber este contingente, passaram a ter mais e mais problemas sociais, econômicos, estruturais e, o resultado? Vemos as grandes propriedades serem trabalhadas com o mínimo de mão-de-obra humana e as cidades empilhadas de pessoas ociosas, com fome, com sede de uma vida melhor. Pessoas que veem os seus se transformarem em “fantasmas” de uma sociedade que vê mas se nega a tomar atitudes relevantes.
Para combater este fenômeno do “avesso”, as políticas públicas socioeconômicas voltadas ao espaço rural, buscaram assentar as famílias que queriam retornar a sua origem. Meio a esta frenética tentativa de restaurar o Homem ao campo, surge o Projeto Casulo, situado à Rod. RO 010, Km 32, Linha 35, no município de Pimenta Bueno, local onde, no início deste Século, foram assentados 72 famílias, que se enquadravam nos critérios de seleção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA.
O Casulo abriga pessoas que transformaram suas vidas, deram aquele espaço uma nova roupagem. Surge meio ao campo aberto os quintais repletos de flores, fruteiras, leguminosos, hortaliças, raízes, grãos entre outros cultivos. Estes quintais, por possuírem árvores em espaços muito próximos das residências, são conhecidos como Quintais Agroflorestais. Sustentáculos das famílias, cultivadas, comumente, por mulheres e homens na busca por otimizar o espaço, tem contribuído com a diminuição da evasão de pessoas da zona rural para os centros urbanos.
Exemplo de quintal agroflorestal no Casulo é a Chácara Santa Luzia, que num espaço temporal de aproximadamente 8 (oito) anos, saiu da paisagem triste e descampada a paisagem verde e suculenta. As mãos, femininas e masculinas, que ali trabalham, transformaram o local em um lugar onde se dá prazer em viver. No entanto, o trabalho na roça muitas vezes é ingrato e pouco reconhecido, além da dificuldade de encontrar pessoas com idade produtiva que queiram permanecer no campo.
O plantio nos arredores das residências rurais, não só sustenta a família como contribui com a economia local. Vários programas governamentais de crédito são oferecidos ao produtor rural, principalmente aqueles que buscam pela preservação de áreas degradadas, bem como a preservação de mananciais. No entanto, pesquisa realizada com chacareiros(as) do casulo, nos mostrou que falta auxílio do ente público, bem como as propostas realizadas no período em que ocorreu os assentamentos das 72 famílias, foram cumpridas apenas nos primeiros anos.
O que fazer para melhorar a produção, as condições comerciais do produtor rural? Segundo informações dos(as) chacareiros(as) a dificuldade em escoar a produção é grande e o mercado local não consegue absorver toda a produção de alguns produtos, bem como, por questões estruturais e financeiras, os(as) produtores(as) não conseguem atender a demanda do mercado local. Ora pela falta de dividendos, ora pela escassez de mão-de-obra. Entretanto, o maior problema esta na falta de acompanhamento técnico por parte do Governo em todas as esferas administrativas.
Percebe-se que falta maior contribuição técnica, seja na lida com a terra, seja em questões de logística. Entre outras, o não cumprimento da Agenda de compromissos pela redução do desmatamento e das queimadas, pela valorização da floresta e da economia local e pelo fortalecimento da cidadania*, assinada pelo município de Pimenta Bueno com o Estado e com o Governo Federal, em dezembro de 2010, torna a situação mais alarmente. Sim! Alarmante! Pois, ações propostas e acordadas entre as partes ajudariam as famílias instaladas na zona rural, bem como tiraria o município do status de prioritário no combate a queimada e desmatamento. Posição que divide com Porto Velho, Machadinho do Oeste e Nova Mamoré.

Autora: Claudia Ximenes - Imagens: Ronilson Cerqueira

http://www.mma.gov.br/estruturas/sedr/_arquivos/agenda_de_compromisso_pimenta_bueno_138.pdf

Quintais agroflorestais: Uma reflexão acerca da economia rural
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Claudia Ximenes: Endereço eletrônico do Currículo (CV) :https://lattes.cnpq.br/8014015246571237. Professora do Ensino Superior de Ciências Contábeis - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Mestranda em Geografia - Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) Especialista em Administração Pública - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Especialista em Gestão Financeira - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Especialista em Docência do Ensino Superior - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Bacharel em Ciências Contábeis - Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) Pesquisadora Bolsista CAPES Pesquisadora CNPq

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