Medo, Fomes, Ganância: Trilogia da miséria humana - Pimenta Virtual

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Medo, Fomes, Ganância: Trilogia da miséria humana

Publicada em : 20/03/15 06:32 - Atualizada em : 20/03/15 08:10

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“Forças ocultas”, já dizia o ex-presidente do Brasil Jânio Quadros, levam pessoas a agirem de maneira estranha e, faz com que aconteça coisas ainda mais esquisitas. Sob o ápice da dor, a fome, o medo e a ganância tornam-se neste estudo fontes de reflexão.

Utilizando-se da fenomenologia, buscamos acompanhar, in loco, o drama dos ribeirinhos no município de Pimenta Bueno, Rondônia, especificamente, as margens do rio Melgaço.


A metamorfose decorrente dos últimos acontecimentos em todo o país leva as pessoas a sentirem medo, de uma forma densa, sem foco, sem luz.

Mas o medo tem luz? A esperança é a luz do medo. Mas, o que vimos nos olhos e percebemos nas lágrimas a escorrerem pelas faces de homens e mulheres é a descrença. Mais uma vez depara-se com a onda de medo de uma barragem a se desfazer, a ser aberta, a ser rompida e a burocracia, bem como a má distribuição de renda os forçam a permanecerem onde estão.


“Penso, logo existo”. Será!?! Basta pensar para existir? Ouço uma reportagem numa emissora de rádio local, a qual me deixa perplexa.

Um ano! Sim! Um ano! Ou quase isto! Da enchente de 2013/2014. Quantos meses se passaram? Seis, sete, oito, nove, dez... Direitos! Nossos direitos, marginalizados pela burocracia. Pela “fraca” fiscalização dos órgãos competentes. Pela morosidade do cumprimento dos contratos públicos.

Pelas instituições não-governamentais que gritam pelos “direitos humanos”, nas cadeias. Fora delas às pessoas são massacradas pelo medo, pela fome, pela ganância de alguns. Alguns que fazem toda a diferença.


Se você, leitor, tivesse dinheiro em caixa, para adquirir material e contratar mão-de-obra suficiente para construir, quanto tempo levaria entre começar e finalizar uma obra residencial? As pessoas estão lá. Lá na beira do rio Melgaço, você já foi lá? Se foi sabe do que aqui tratamos.

As casas em construção estão mais distantes das bravas águas que banham todas as suas margens e, que entra nas residências sem pedir licença, sem autorização de seus proprietários e da justiça. Justiça! Centenas de pessoas pedindo justiça social, aquela outorgada na Constituição Cidadã/88.


Crianças, brincando nas águas sujas, misturadas as fossas rompidas. Riem, gargalham sem se importarem com as cobras que disputam espaço, com o solo já contaminado pelo caramujo e outros animais, que também lutam pela sua sobrevivência.

Acompanhar! Foi o que escutei: “— Estamos acompanhando... estamos monitorando”.

Acompanhar, de dentro dos carros, distante da lama que se fazem presente e se mostram a cada decida d’água, para quem esta de forma: magnífico. Entrar na água e ajudar é uma maneira de vivenciar a dor do outro.


Um senhor nos relatou que no domingo, por mais que tentasse entender que não eram a eles direcionados, os fogos do último dia 15, pareciam ser pelo infortúnio que estão passando. Que não viu nenhuma faixa, ou placa de manifestação, pedindo agilidade, fiscalização na construção das casas populares, ou de outras ações públicas que os tirassem da miséria, do espaço de risco.

Fim a corrupção! Penalizar os gananciosos que tiram da saúde, da educação, da habitação popular é extremamente importante. No entanto, é preciso ações diretas de apoio socioeconômico.


“Vamos todos morrer na miséria, ninguém liga pra gente não”, gritou de longe uma mulher de dentro de uma canoa. Que miséria! Com a imensidão de água, sentem fome, sentem sede.

Água potável não tem. Comida, as migalhas. As drogas, a prostituição, menores que a “politicagem”, se fazem presente.

Carros e motos de pessoas distantes, físico e espiritualmente. “Me sinto como se tivesse a venda numa loja que as pessoas passam, ficam olhando e ninguém quer comprar”, conta “Maria”. Outra senhorinha diz: “Ah vizinha! Pelo menos a rua fica mais animada, vem gente de todos os lugares, pelo menos nesta época do ano, pra vê a nossa situação. Só assim somos lembrados”.


A sátira presente no diálogo com as vizinhas, da dor, do medo, nos reporta a busca por soluções. Vemos em todo o Brasil a natureza se manifestar mediante ao movimento frenético do ser humano, com ações que beiram a selvageria.

No nordeste a falta d’água e no restante do país, alagações que lavam avenidas, ruas, calçadas e destroem lares, estabelecimentos comerciais e de recreação. Ratos, baratas e outros animais peçonhentos disputam espaço meio a humanidade, se alastra pelo meio urbano.


Frentes de trabalho são organizados neste período do ano, somos conhecedores deste fato. Contudo, é insuficiente, momentaneamente eficaz.

Considerando o princípio contábil da continuidade, torna-se ineficaz. Necessário se faz o desenvolvimento de políticas públicas que levem em conta o espaço, com todas as suas variações, sociais e econômicas.

Categoria de análise que não existiria sem o Homem. A vida alheia não pode ser considerada ao acaso. A miséria não é consequência da existência humana, mas de suas ações.

Autora: Claudia Ximenes

Imagens: Ronilson Cerqueira

Medo, Fomes, Ganância: Trilogia da miséria humana
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Claudia Ximenes: Endereço eletrônico do Currículo (CV) :https://lattes.cnpq.br/8014015246571237. Professora do Ensino Superior de Ciências Contábeis - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Mestranda em Geografia - Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) Especialista em Administração Pública - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Especialista em Gestão Financeira - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Especialista em Docência do Ensino Superior - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Bacharel em Ciências Contábeis - Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) Pesquisadora Bolsista CAPES Pesquisadora CNPq

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