Meu espaço, minhas lembranças: fragmentos da memóriade um povo - Pimenta Virtual

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Meu espaço, minhas lembranças: fragmentos da memóriade um povo

Publicada em : 13/03/15 00:53 - Atualizada em : 13/03/15 01:20


Dizem que “quem conta um conto aumenta um ponto”. Porém, há estudos acerca das lembranças de pessoas, relativo ao tempo vivido, que nos mostra que a memória é representada pela cultura, pelas relações de um indivíduo com o outro e com a natureza. Explorando estas lembranças, buscamos compreender a relação-sentimento do ribeirinho e o seu espaço. Este estudo deu-se por meio de entrevista informal, com pessoas que moram há mais de 10 anos as margens do rio Melgaço, no município de Pimenta Bueno, no mês de fevereiro de 2015.

Por que continuar num lugar onde as águas, impiedosamente, toma para si o espaço que o homem se apoderou? Por que as ações do Estado não conseguem alcançar êxito em suas políticas públicas de combate aos problemas socioeconômicos das regiões ribeirinhas? Por que, mormente, os ribeirinhos retornam para as margens dos rios, mesmo ganhando novas casas? Os questionamentos são tantos, que não caberia aqui!

Diz dona “Maria” que a energia e a água, ela não paga. Num novo local teria que pagar e não tendo renda suficiente para pagar estas contas e se alimentar, sua vida seria ainda mais difícil. Se vestir? Isso as doações acabam sempre resolvendo. Na mesma roda de bate-papo, “Marta” nos conta que ganham as casas, mas não ganham as condições necessárias para que possam se sustentar. “Mariete” acrescenta que ali nasceu e vai morrer, que naquelas ruas cresceu livre, sabendo que ali é o seu mundo, seu refúgio e que em outro lugar a “liberdade” não seria a mesma.

A fome se alastra de várias formas, caminha com a vontade de ser reconhecido(a), de ser aceito(a). Mais adiante, uma senhora de cabelos brancos, nos conta que nos idos dos anos de 1980, a enchente era constante, no entanto, as casas não eram tão próximas das margens dos rios e que, apesar das dificuldades típicas da época a miséria não era tão evidente. “Tínhamos onde plantar e colher para o sustento da família. Ninguém faz nada para acabar com os caramujos” — conta o senhorzinho, sentado num banco de improvisado de madeira, em baixo de uma frondosa mangueira.

Pedreiro e carpinteiro! Senhor “Francisco” nos conta que ajudou a construir a ponte do Rio Melgaço e, confirma que na época as casas eram mais distantes de suas margens. Era comum ver as pessoas nadarem no rio. No entanto, destaca que no período das águas (durante seis meses) alguns cuidados eram tomados, pois as enchentes ocorriam com frequência, trazendo perigo para quem estava dentro e fora do seu leito. Não raro, pessoas eram encontradas mortas por afogamento, o que era atribuído, principalmente, ao grande número de peixe elétrico e cobras.

Em 2009, o medo de uma “grande” enchente tomou conta da população pimentense devido à possibilidade de um rompimento nas barragens de hidrelétricas no município de Pimenta Bueno e mediações, o que não aconteceu. Registros oficiais apontam um grande volume de água no ano de 2010, causado principalmente pelo desmatamento nas Áreas de Proteção Permanente (APPs) e, a ocupação e uso indevido deste espaço. O ano de 2014, também, desabrigou centenas de pessoas, devido ao despejo do excedente no espaço desnudado de sua roupagem natural, com construções já castigadas pelo tempo e outras enchentes, castigando um povo fragilizado pelo sistema capitalista.

A tristeza é evidente no semblante daqueles que perderam bens como fotografias que registravam momentos de suas vidas, bem como outros objetos que dinheiro algum consegue restituir. Além de mobiliários, eletrodomésticos e outros produtos que tanto demoraram a conseguir adquirir. Alguns ainda sem terminar de pagar as parcelas do carnê de crediário. Lágrimas escorrem pelas faces daqueles(as) que nos atende para relatar suas aventuras e desventuras por conta das enchentes.

Em vista do que foi pontuado consideramos que as políticas públicas voltada para as populações ribeirinhas devem ir além da doação de casas. As famílias precisam ser munidas de novas oportunidades. Pois, a beira do rio, encontra seu sustento, entre outros, na pesca. Contas mensais como água e energia são menores (quando não, inexistente) do que em outras localidades do próprio município. A (re)integração da população no meio da sociedade é importante, mas para que de fato isto ocorra precisa de atitude por parte dos detentores do poder público. Não basta pensar, elaborar projetos. Precisa ser posto em ação, com começo, meio e fim.

Autora: Claudia Ximenes

Meu espaço, minhas lembranças: fragmentos da memóriade um povo
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Claudia Ximenes: Endereço eletrônico do Currículo (CV) :https://lattes.cnpq.br/8014015246571237. Professora do Ensino Superior de Ciências Contábeis - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Mestranda em Geografia - Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) Especialista em Administração Pública - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Especialista em Gestão Financeira - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Especialista em Docência do Ensino Superior - Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) Bacharel em Ciências Contábeis - Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) Pesquisadora Bolsista CAPES Pesquisadora CNPq

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